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Textos sobre assuntos genéricos, mas que têm mais coerência do que o Microblog.

(2026-01-16) A propaganda enganosa dos protetores solares

A propaganda enganosa dos protetores solares

Lendo as letrinhas miúdas da bisnaga dos protetores solares, me deparei com a informação de que a proteção contra UVA é de apenas 1/3 do valor que aparece enorme no rótulo.

Como funciona a proteção solar?

O FPS (fator de proteção solar) não indica a intensidade de proteção, não é sobre 99 FPS proteger mais do que 30 FPS. É sobre por quanto TEMPO eles vão conseguir proteger.

O cáculo é simples. Você pega o tempo que leva para ficar com a pele avermelhada em exposição ao Sol (no meu caso, 5 minutos), multiplica pelo FPS e terá o resultado em minutos. Exemplo:

5 minutos x 30 FPS = 150 minutos de proteção

Ou seja, um protetor de 30 FPS, vai me proteger por 2 horas e meia.

Mais um exemplo:

5 minutos x 50 FPS = 250 minutos de proteção

De novo, um protetor de 50 FPS vai me proteger por 4 horas e 10 minutos.

Certo?

Infelizmente não. O cálculo está correto, o problema é que esse número que aparece enorme na frente do rótulo é para proteção UVB. A proteção UVA é apenas 1/3 da UVB.

Um protetor solar que se vende como sendo 30 FPS é esse fator apenas para raios UVB. Para os raios UVA, ele é 1/3 desse valor, ou seja, apenas 10 FPS.

Então, repetindo a nossa conta, eu teria apenas 50 minutos de proteção contra raios UVA usando um protetor de, supostamente, 30 FPS.

Essa longevidade de proteção aumenta quanto maior o FPS no rótulo, mas a discrepância ainda é enorme.

Esse Anasol de FPS 99 só protege 33 (1/3) contra UVA. Esses 99 aí são só pro UVB. Nesse caso, fazendo as contas de novo, eu tenho:

Proteção contra raios UVB:
5 minutos x 99 FPS = 495 minutos (8 horas e 15 minutos)

Proteção contra raios UVA:
5 minutos x 33 FPS (1/3 do UVB) = 165 minutos (2 horas e 45 minutos)

A diferença pra um protetor de fator 30 é enorme, mas a discrepância entre o fator apresentado e a proteção contra UVA é absurda.

Tanto o UVA quanto o UVB causam câncer de pele no longo prazo, a diferença é que num dia nublado, o UVA consegue atravessar as nuvens e chegar na gente, ao passo que o UVB não.

Infelizmente, existe uma regulação que permite que a proteção contra UVA seja de pelo menos um terço, então as marcas continuam fazendo o mínimo estabelecido. 🤷‍♀️

Só que isso não é explícito pra todo mundo saber. Eu mesma, que sou cuidadosa com essas coisas, não sabia dessa diferença. Como todo mundo, eu achava que aquele número no rótulo servia pra tudo, mas não serve.

Então, se for comprar protetores solares, opte pelos de FPS 99+.

Mude os minutos na multiplicação de acordo com o tempo que a sua pele leva para ficar avermelhada. Pode ser menos de 5 minutos ou mais.

Se você, assim como eu, fica queimada em 5 minutos, tem aqui uma tabelinha com os valores:

FPS no rótulo Tempo de proteção UVB Tempo de proteção UVA
30 150min 50min
50 250min 80min / 1 hora e 20min
70 350min 115min / 1 hora e 55min
99 495min 165min / 2 horas e 45min

Fontes:

Fonte 1

Fonte 2

Fonte 3

(2026-01-15) A saga Crepúsculo

A saga Crepúsculo

Recentemente (final do ano passado) eu decidi assistir à saga Crepúsculo e cheguei à conclusão de que não é uma coisa que mereça ódio.

Acho que parte desse ódio veio de homens que, por algum motivo, não aceitam que meninas de 11-14 anos tenham suas fantasias adolescentes, o que é uma enorme hipocrisia porque atualmente temos homens de 40+ com fantasias de adolescente. 🤷‍♀️

Algumas poucas mulheres também odeiam a saga e acredito que seja por dois motivos:

  1. São pick-me e not-like-the-other-girls, e tentam, assim, mostrar aos homens que elas têm mais valor (na cabeça delas).
  2. Têm algum trauma da adolescência.

Veja bem, não estou dizendo que alguém é obrigado a gostar. Não. O que eu estou dizendo é que o ÓDIO a essa saga é descabido. Você pode ser simplesmente indiferente. 🤷‍♀️ Não precisa gastar energia odiando uma coisa que foi feita para uma demografia da qual você nunca fez parte ou que fez há muito tempo, mas não mais.

Odiar requer um investimento emocional, psicológico, temporal e energético muito grande e que não traz benefício nenhum, só prejuízo. O tempo, energia e outros aspectos da nossa existência que gastamos com coisas que odiamos, não serão recuperados. Então é melhor pararmos de perder nossos pedaços odiando e passarmos a gastar nossas partes com coisas que gostamos, pelo menos receberemos satisfação, serotonina e endorfina disso, em vez de cortisol que causa aumento de peso e outros problemas de saúde. Não à toa, eu decidi fazer este site, pra focar nas coisas que eu gosto. Rede social é um antro de ódio que eu não estou mais afim de alimentar.

No geral, minha sensação com a saga é de:

"Talvez eu tivesse gostado lá pros meus 12-13 anos"

Pena que nessa idade a saga (de filmes) ainda não existia. Quando estreou, eu tinha 18 anos e não agüentava mais nada de vampiro porque passei a adolescência assistindo a Entrevista com o Vampiro, Blade e Moonlight. Atualmente, eu voltei a gostar de vampiro, mas não suporto mais os tipos da Anne Rice. Aproveitei pra assistir a Vampire Diaries, The Originals, True Blood, Crepúsculo e jogar Vampiro A Máscara.

Ter assistido depois de adulta, foi uma experiência interessante.

O primeiro filme é muito esquisito. Ele parece não seguir muito bem os padrões de Hollywood. Tem muita cena de vergonha alheia especificamente porque tanto a Bella quanto o Edward parecem estar o tempo inteiro incomodados com alguma coisa. Há sempre esse desconforto imenso na tela. Não sei se os atores estavam de má vontade ou se a direção de elenco por algum motivo exigiu que eles demonstrassem desconforto.

A fotografia desse primeiro filme também não ajuda, é um verde claustrofóbico o tempo inteiro.

Não sei se foi impressão minha, mas há um silêncio que persiste por muito tempo em vários momentos, uma ausência estranha de trilha sonora.

Nada dessa parte técnica ocorre nos filmes seguintes, que por sinal são bons considerando a época em que foram feitos. Até os efeitos especiais envelheceram bem. Exceto pela bebê, vou chegar lá.

Do segundo filme em diante, o desconforto da Bella e do Edward diminui consideravelmente. A fotografia verde desaparece e tudo fica mais iluminado e aberto. A trilha sonora se espalha e se acomoda melhor.

Meu palpite é de que o primeiro filme estivesse acontecendo pelo ponto de vista da Bella em depressão, então há aquele verde claustrofóbico, os silêncios estranhos, o desconforto excessivo.

Os filmes seguintes acontecem quando ela está feliz pela relação com o Edward, então são claros, abertos, têm música e ela não se sente mais desconfortável e deslocada (como ela mesma menciona que se sentia antes de ser vampira). Não li os livros, não sei se foi esse o caso.

Quanto aos efeitos especiais, as partes com os lobisomens e as lutas são muito boas. Gostei bastante. Mas a bebê... Meu deus, aquela bebê foi a coisa mais assustadora do filme. Parecia um filhote do boneco Chuck. A explicação disso está aqui.

Simplesmente queriam um bebê que fosse estranho. E conseguiram isso multiplicado por 1000. 👏👏👏

Quanto à história em si, o que eu tirei dela é que o problema é que a Bella não tem hobbies. Ao passo que todo mundo ali naquele universo tem pelo menos uma atividade que gosta de fazer (até o Edward gosta de piano e música), a Bella não gosta de nada. O mundo dela é sem graça e vazio antes do Edward, não à toa ela parece estar em depressão, e depois o mundo dela passa a ser o próprio Edward. Tudo gira em torno dele. Aí, quando ele vai embora, ela fica numa depressão ainda pior.

Essa menina não faz um crochê, um biscuit, uma bijuteria, unha gel, não pinta o cabelo com papel crepon, não coleciona cartão de k-pop, não anda de skate, não tem um flog pra algum ator (ou vários), não aprende o idioma de nenhum artista estrangeiro (Hallo, Rammstein), não lê uma capricho, não passa horas colocando tererê no cabelo, não ouve música, não vê um filme, não lê um livro, revista, nada!

Aí conhece um carinha, o primeiro da vida dela, casa e tem logo um filho! 🤦‍♀️

Eu sei que se ela tivesse hobbies, esses filmes não teriam acontecido, mas talvez isso sirva de aviso para que as meninas tenham hobbies e não fiquem o tempo todo tentando preencher o vazio de suas vidas com rapazes.

Algumas pessoas podem achar que isso instigaria as adolescentes a se apaixonarem por um cara e casarem logo. Eu discordo. As moças que eram fãs de Crepúsculo não queriam um carinha ordinário pra se enroscar. Elas queriam ou o Edward (um vampiro), ou o Jacob (um lobisomem), especificamente. Então a chance das fãs em massa arranjarem um carinha era baixa, porque estavam ocupadas com uma paixão platônica por um personagem que não existe e não tem como existir. Falo por experiência, pois eu tinha mil e uma paixões platônicas por personagens ou por algum ator na adolescência.

Outra crítica que ouvi foi o fato da Bella estar morrendo durante a gravidez e mesmo assim querer ter um filho. Olha, eu sou pró-escolha-da-mulher-que-já-nasceu-e-tá-nessa-situação, e isso se aplica à Bella também. Era direito dela seguir adiante com a gestação. Algumas mulheres querem ser mães e tá tudo bem. Assim como está tudo bem em não querer ser mãe. Não vou me aprofundar muito nisso porque não estou afim de polêmicas aqui, só quero dizer que eu, particularmente, não vi problema na Bella querer passar por uma gestação arriscada só pra ter o filho porque isso foi ESCOLHA DELA. Eu sei que algumas pessoas podem dizer que seria um tipo de pregação da Meyer que é mórmon, e talvez até seja, mas a gente não teria aquele final legal se a Bella abortasse. 🤷‍♀️

É uma história de ficção, certas coisas podem acontecer, a gente pode achar problemático, e ainda podemos entender que é importante pra história que aquilo aconteça. E tudo bem.

Crepúsculo é um universo de fantasia para meninas de 11-14 anos. E é inevitável que em algum momento a gente fantasie, por curiosidade, como seria se tivéssemos filhos, só pra ver se é algo que a gente iria querer ter algum dia. Inclusive, foi nessa época, depois de alguns desses devaneios, que eu decidi que não queria ter filhos. Criar situações hipotéticas na nossa mente pode ser uma forma de testarmos se uma situação é favorável pra gente ou não. Algumas fãs de Crespúsculo vão querer ser mães e outras não. E tá tudo bem.

O que mais me incomodou depois do fato da Bella não ter hobbies, foi a sexualização do Jacob, cujo ator tinha 16-17 anos na época dos filmes. Posso ter sentido isso por ter assistido depois de adulta, talvez não seja problema se for uma menina adolescente vendo outro menino adolescente sem camisa. Mas e se fosse a sexualização de uma menina de 16-17 anos para um bando de meninos adolescentes? Será que as pessoas passariam pano da mesma forma? Creio que não, principalmente porque o fenômeno de Crepúsculo teve muitas fãs ADULTAS, algumas que já eram mães e estavam com suas filhas... 😬

Imagine homens adultos sendo fãs de uma história com uma menina adolescente sendo sexualizada...

Talvez uma história assim não saísse do papel nos dias de hoje, onde se fala mais abertamente sobre isso e se questiona mais determinados comportamentos. Mas os idos 2000 e 2010 eram terra de ninguém.

Outro problema aqui que se repete em Vampire Diaries é um cara de mais de 100 anos de idade, um bisavô já, indo atrás de comer meninas adolescentes... e_e

Em termos de narrativa em si, ao meu ver, grande parte do problema está no fato de que a história só existe porque todo mundo quer proteger a Bella de alguma coisa porque todo mundo gosta dela por motivo nenhum. Como eu falei, ela não tem nenhum hobby; personalidade é algo que também falta, então gostar de alguém assim, no mundo real, dificilmente iria acontecer. Mas todo mundo ali gosta dela. Acho que os demais personagens são ótimas pessoas e eu gostaria de ver uma história só com eles, sem Bella (e sem Edward também, muito esquisito pro meu gosto).

O restante do universo parece ser bem interessante, principalmente os Vulturi e as crianças-vampiro que não ficou bem explicado. O fato de cada vampiro ter um poder, eu achei muito legal! E não me incomodou em nada os vampiros brilharem.

"Ain, mas a Anne Rice-"

Cara, ninguém tem obrigação de escrever vampiro igual ao Bram Stoker ou à Anne Rice. Acho que temos que ter vampiros únicos e autênticos. Os da Meyer têm poderes diferentes e brilham. Os de VTM têm clãs com poderes diferentes, alguns podendo se transformar em animais ou ficarem completamente desfigurados. O Blade consegue andar de dia. E por aí vai. Chega de vampiro depressivo e com falta de amor próprioMorra, Stefan, troço chato da porra.

Como coloquei lá em Sobre mim, eu prefiro o Jacob (não pra eu fazer nada com ele, mas entre os pretendentes da Bella mesmo). O Edward é um velho muito esquisito, cara. Aquela cena do cecê da Bella e depois ele falando "oi" com os olhos esbugalhados, mano do céu... O Jacob pelo menos é da idade dela e tem mais personalidade. A cena em que o inútil do Edward não consegue esquentar a Bella e precisa do Jacob pra isso (teríamos aqui alguma longínqua analogia a impotência sexual?) e o Jacob diz: "I'm hotter than you", é uma das melhores cenas dele. 👏👏👏

E as últimas problematizações são o imprint que o Jacob faz com a Renesmée recém-nascida e o fato de ela ter corpo de adulta aos 7 anos de idade... 🤮

Tirando essas duas últimas esquisitices, dá pra levar como uma história de fantasia para meninas adolescentes numa boa.

E mesmo com essas duas últimas esquisitices, eu não consigo ver motivo pra odiar demais a saga inteira. É possível ver o problema nisso e querer aproveitar só as outras partes.

Como eu falei lá em cima, ódio é um sentimento que exige muita energia. Você pode simplesmente pensar: "eca, não gostei disso não" e seguir com sua vida. Agora ficar bulinando os fãs e sendo babaca toda vez que alguém fala desse filme é gastar muita energia com algo que não gosta.

E outra coisa, dificilmente quem ODEIA Crepúsculo menciona esses problemas todos que apontei (eu pelo menos nunca vi). Quando expõem seu ódio, é sempre porque é um triângulo amoroso entre a Bella, o Edward e o Jacob; pelo fato da Bella ser sem graça; pelo filme ser um romance bobo; e porque vampiros brilham. Ou seja, não odeiam por causa das problemáticas, e sim porque não são o público alvo do produto. 🤷‍♀️

São homens com raiva porque os filmes/livros não foram feitos pra eles (num mar de mídias que são feitas pra eles), ou meia-dúzia de mulheres tentando provar aos homens (que não se importam nenhum pouco com elas) de que elas têm mais valor humano do que as moças e mulheres que gostam ou gostavam da saga.

Enfim... O ódio a Crespúsculo é descabido porque não é pelos problemas que a saga tem e sim por coisas que não são, nem de longe, um problema.

(2026-01-12) Minha saga com Linux

Minha saga com Linux

Nos idos 2015, eu estava fazendo curso e precisava criar apresentações no Powerpoint toda semana. Usava o Microsoft Office 2003 pirata no Windows 7 igualmente pirata como a maioria da população. Quando tentei atualizar o MS Office para a versão 2007, eu tive muitos problemas para conseguir crackear. Além disso, algumas imagens eu fazia no Adobe Photoshop CS2 que também era pirata, e que eu estava tendo problemas para usá-lo por causa disso.

Cansada de sofrer com pirataria de programas que eu não podia pagar, procurei por alternativas online e achei várias listas que falavam sobre:

  • LibreOffice
  • Apache OpenOffice
  • Gimp

Decidi testar todas. Comecei abrindo minhas apresentações do Powerpoint nos Offices alternativos para averiguar a compatibilidade. Não foi surpresa ver tudo completamente desconfigurado. Em termos de arquivos de texto e planilhas (estas sendo poucas), não vi tanta diferença e me animei com uma possível solução para o meu problema. No entanto, eu não podia abrir mão do MS Office por conta das apresentações do curso e decidi que agüentaria os problemas até o final do período e depois migraria para um dos Offices. Optei pelo LibreOffice porque era o que menos desconfigurava meus arquivos.

Quanto à edição de imagens, precisei de mais tempo para aprender a usar o Gimp. Foi bastante difícil no início por falta de tutoriais disponíveis, mas perseverei e valeu a pena.

Eu não conhecia nada do mundo do código-aberto e fui procurar saber como poderia haver programas tão bons assim "de graça", só podia ser uma pegadinha.

Quando eu entendi a filosofia por trás disso, foi como se um universo novo tivesse se revelado para mim. E aí, ao longo do tempo, eu comecei a procurar programas de código-aberto simplesmente para testá-los e ver se tinha algo que eu achasse interessante.

Substituí meu KMPlayer (que depois ficou cheio de propagandas coreanas) e o MPC-HC pelo VLC; substituí o Windows Movie Maker pelo ShotCut; o Evernote pelo CherryTree (e depois por outros, mas isso fica para outra postagem); o Chrome e o Opera (sim, socorro) pelo Firefox; e outros que eu não me lembro agora.

Ao longo dessa aventura, uma coisa me chamou a atenção: todos os programas que eu encontrava, mostravam uma versão para Windows e uma para Linux.

Eu já tinha ouvido falar do Linux num curso de montagem e manutenção de computadores que fiz logo após o término do ensino médio, mas as lembranças não eram boas. Não chegamos a usar o Linux, apenas fomos apresentados a ele. No entanto, não lembro que distro que era, só lembro que era algo muito feio, um Windows 98 laranja cujas janelas não minimizavam para a barra de tarefas e sim espalhadas pela área de trabalho. Achei a coisa mais horrorosa do mundo e disse que nunca largaria meu XP com tema prata para usar aquele troço.

Então, como muito tempo já havia se passado, e vendo que o Linux ainda existia, decidi procurar notícias dele pra saber se ainda era horrível como eu me lembrava.

Uma pesquisa no Google imagens e dei de cara com o que, na época, eu não sabia que era o Gnome e o KDE, mas achei lindíssimo! Fiquei espantada com o avanço do Linux naqueles quase 10 anos e procurei mais a respeito. Após muita pesquisa, muitos artigos lidos, muitos vídeos assistidos, decidi tentar fazer dual boot com o Windows e escolhi o Ubuntu, infelizmente.

Tive muitos problemas com coisas bobas que eu não tinha no Windows como resolução de tela, portas usb 2.0 e mouse (isso aqui foi culpa, em parte, da placa-mãe da Gigabyte e uma desgraça chamada IOMMU controller). Passei por outras distribuições, sofri mais, até que encontrei o Linux Mint e fiquei com raiva. Não porque tivesse me dado trabalho, mas porque era tão fácil de usar que eu não tive trabalho nenhum e gostaria de tê-lo descoberto logo de cara para não sofrer tanto. 😅

Na mesma época que eu descobri o mundo do código-aberto, eu queria começar a mexer com arte vetorial, considerando que eu já trabalhava com design gráfico e vi que esse tipo de arte estava se popularizando, mas eu não queria aprender o Adobe Illustrator porque eu ia ter o mesmo problema do Photoshop. Procurei uma alternativa e encontrei o Inkscape. Para a minha surpresa, tinha muito mais tutorial para ele do que para o Gimp, então foi fácil de aprender. Comecei a trabalhar com arte vetorial acho que no ano seguinte à descoberta.

Decidi então deixar o Linux (Mint) para trabalho porque o Inkscape performava melhor nesse sistema do que no Windows, onde devorava minha RAM todinha nos projetos maiores. Também já havia terminado o curso e mudei completamente para o LibreOffice. Deixei o Windows apenas para os jogos porque naquela época eu ainda me importava muito com isso.

O tempo passou, a Valve resolveu adotar o Linux e o Wine por conta de seus consoles e a coisa evoluiu muito rápido. Fui passando alguns jogos para o Linux e deixando no Windows só os que ainda não rodavam direito no pingüim.

Lá para o final de 2019, eu já tinha 1 ano usando apenas o Linux Mint, sem logar no Windows nenhuma vez. Então quando veio o anúncio de que o Windows 7 perderia o suporte em janeiro de 2020, não fez tanta diferença para mim porque eu já não usava mesmo. Aproveitei para formatar meu Linux para a versão mais recente (prefiro formatar do que fazer upgrade), removi completamente o Windows da minha máquina e nunca mais olhei para trás.

Já faz 6 anos que uso exclusivamente o Linux Mint e nunca senti falta do Windows para nada. Jogos não são mais importantes na minha vida, e os poucos que eu jogo atualmente são:

Eu nunca gostei de jogos competitivos porque odeio passar raiva, odeio pressa, odeio gente que me xinga por nada, então nunca sofri por muitos desses jogos não rodarem no Linux. 🤷🏻‍♀️😂

Não vou mentir que sinto um pouco de falta do Skyrim, mas também não posso dizer que não roda no Linux já que nunca nem tentei instalar porque fiquei com preguiça de tentar entender como instalar o SKSE. 🤡 Talvez até rode satisfatoriamente e eu não saiba. Mas agora eu não vou testar porque não tenho mais computador, uso um notebook que quase com certeza não vai rodar Skyrim de jeito nenhum. Os joguinhos leves já fazem a tela piscar criando uns artefatos estranhos, imagine Skyrim...

Lembro que uma vez consegui instalar o Oblivion no pc e também alguns mods e funcionou muito bem. Não lembro se cheguei a testar o Morrowind.

Atualmente uso o notebook (onde instalei meu Mint lindo e maravilhoso bem facinho) para trabalho (design gráfico e stock art), escrever (livros, fanfics, blogs), fazer este site, ler, ver vídeos, jogar joguinhos de menina (os que rodam aqui) e navegar na internet.

Finalizando, posso dizer que migrar para o Linux e programas de código-aberto foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida. Não tenho mais aborrecimento com vírus, pirataria, cracks, keygens, atualizações forçadas, empresas decidindo como eu devo usar meu computador ou que hardware eu devo usar, um sistema que fica brigando comigo o tempo e esse surto de enfiar IA em tudo que é lugar.

Meu Linux não me atrapalha. Eu mando fazer uma coisa, ele faz. Configurei pra nem aparecer na minha tela (programas tomam conta de tudo e eu não vejo nem a barra de tarefas ❤️), não sofro com nada. Tudo rodando liso e perfeitinho. ❤️

No início foi difícil? Sim, foi muito difícil, a curva de aprendizado é alta, mas no fim valeu a pena o tempo investido.

(2026-01-11) O Efeito Indie

O Efeito Indie

Por gosto ou por necessidade, eu sempre acabava indo parar em círculos mais alternativos. Na adolescência, eu fazia parte de alguns fandons antes desse nome existir, e tinha flogs dedicados a eles. Quando jovem adulta (2008-2012), eu adorava jogar no computador (The Sims, Pharaoh e Jewel Quest que o digam) e fazia parte da comunidade de Morrowind no Orkut. Alguns anos depois (2015-2016), por necessidade financeira, eu entrei no mundo do código-aberto. Atualmente, estou eu aqui, na indie web. Esse último não foi por necessidade financeira, mas por necessidade psicológica e por gostar também.

Já tem muitos anos que eu estou cansada de rede social, acho que desde a época em que eu fiz uma conta no facebook pela primeira vez (não tenho mais). De lá pra cá, eu já fiz e já apaguei várias contas. Sinto falta de ter uma presença online, mas não gosto da "comunidade" de redes sociais. Não gosto do que os algoritmos me recomendam, preciso ficar muito tempo adestrando esses bichos para esconder todas as porcarias de futebol, bebidas, mulher pelada, carros, política, comida, coisas inúteis e estúpidas, e outras coisas realmente nocivas. Além disso, as pessoas são horríveis, todo mundo é fdp, grosseiro e maldito gratuitamente. Parece até um bando de fracassados em todas as áreas da vida sem maturidade emocional que não conseguem ver uma pessoa feliz e deixá-la em paz. E para piorar, um milhão de propagandas e golpes. Isso tudo me cansa e me desanima demais. Passo pouco tempo nas redes porque acho insuportável ficar lá muito tempo.

Eu tinha alguns blogs, mas nunca tiveram visibilidade. Tentei divulgar em uma rede ou outra, mas nenhuma das minhas postagens nunca teve alcance. Acho que eu teria que pagar pra isso. Então ter rede social por causa de visibilidade não faz sentido pra mim. Hoje tenho Instagram porque se não tiver, não tenho contato com as pessoas que eu conheço porque elas simplesmente não me respondem no Whatsapp (pra ser honesta, não me respondem nem no Insta também 🤷🏻‍♀️). E tenho Twitter porque me parece ter um pouquiiiiiiiinho mais de visibilidade do que o anterior, então posto atualizações por lá (consegui 90 visualizações e 1 like, muito mais do que no Instagram). Recentemente fiz uma conta no TikTok porque precisei de um tutorial pra montar um móvel e o único vídeo que existia era de lá. 😂 Comecei a seguir algumas contas de Vampiro A Máscara, mas eu nem uso aquilo, achei as recomendações do algoritmo horrorosas, tá só ocupando espaço no meu telefone.

A inspiração para ter um site próprio na indie web veio deste vídeo. Em seguida, passei um tempo pesquisando e fiquei convencida de que era uma boa idéia. Optei pelo Nekoweb primeiro, que a própria moça no vídeo usa, e o restante foi só pesquisar por tutoriais de CSS e HTML na internet. Este último eu tenho alguma familiaridade porque aprendi sua primeira versão (sem número no nome) no ensino fundamental, uma época em que o único editor era o Notepad, o único navegador era o Internet Explorer, CSS ainda não existiaLançado em 1996, mas só ouvi falar dele depois de adulta. Na escola ninguém nunca o mencionou. e o tema prata do Windows XP era a coisa mais linda e moderna do mundo. 🦕

Achei que ia ter muita dificuldade fazendo meu próprio site, mas, não sei por que, tudo fluiu facilmente~quase~ tudo. A princípio eu pretendia colocar apenas minhas fanfics, daí tive a idéia de pegar alguns dos meus posts sobre esoterismo que eu tinha no Medium (e que nunca alcançou ninguém) e publicar por aqui também. Depois veio a idéia do diário; depois este blog mais genérico; e então os meus originais, que no momento é apenas 1 livro publicado, mas outros estão a caminho.

A idéia para os altaresshrines veio das pesquisas sobre o que as pessoas postavam nos seus sites indie. Tirando os flogs, eu não era muito de falar sobre as coisas que eu gostava, e talvez isso fosse um problema. Eu não falava sobre o que gostava e era bombardeada por coisas que eu detesto (nas redes sociais). Então decidi abraçar isso, essa "positividade", e dedicar este site a tudo que eu gosto, seja o que eu mesma crio ou o que outras pessoas criaram.

Quanto à divulgação, vi algumas pessoas dizendo que é pior ter site indie porque aqui não temos a visibilidade e o alcance que temos em redes sociais. Mas como eu mencionei ali em cima, eu nunca tive alcance de nada em plataforma nenhuma, então ter um site do meu jeito, com as coisas que eu gosto, sem me aborrecer com o vandalismo digital dos outros, as opiniões de 💩 que nunca deveriam ter sido expressadas, propagandas infinitas, golpes, algoritmo e tudo o que engloba estar numa plataforma mainstream, é uma gigantesca vantagem por si só. Se é pra não ser descoberta, então que seja do jeito que eu quero e em paz.

Parece que mais e mais pessoas estão aderindo a esse estilo de vida. Talvez no futuro a gente tenha uma porção da internet que seja genuinamente interessante, criativa e com boa educação.

Existe também a possibilidade, num futuro muito distante, de que as corporações tentem entrar no meio indie com produtos artificialmente indies e destruam esse ecossistema, mas isso tá tão longe de acontecer que eu não vou me preocupar agora. A indie web ainda é um nicho e ainda é minoria, foi apenas no ano passado2025 que o Neocities atingiu a marca de 1 milhão de usuários.

Um outro argumento que encontrei é de que sites como o Neocities e o Nekoweb também são um tipo de rede social, já que a única forma de um site indie ter alguma possibilidade de ser descoberto é por esses serviços. E eu concordo em parte: de fato, podemos descobrir outros usuários através do feed e também podemos nos ligar uns aos outros através dos webrings. Mas as semelhanças terminam aí, pois não há algoritmo decidindo o que vamos consumir; o feed é cronológico; não tem IA; não tem sessão de comentários das profundezas do inferno; cada pessoa cria sua própria página em vez de ser tudo igual; o foco é em coisas que a pessoa gosta ao invés de coisas que odeia (o mais importante, creio); maior concentração de pessoas esforçadas ao contrário das mainstream que tem muita gente desperdiçando ar.

Então rede social por rede social, é melhor ter uma que me permita moldar o meu espaço e as minhas interações como eu quiser.

Me conhecendo como eu conheço, só espero seguir com o mesmo entusiasmo de agora, ou pelo menos numa quantidade saudável, para continuar atualizando meu site. Pretendo deixar as redes sociais só para publicar atualizações daqui.

Finalizando... É isso. O texto que eu comecei a escrever era diferente e eu fugi muito do assunto. Esse aqui é uma versão mais sucinta do primeiro, por isso, inclusive, o título não encaixa direito. xD