Capítulo 1:
Tingido de Sangue

Assim que o último cliente de Karliah subiu as escadas para a rua e ela trancou a porta, uma monstruosa mão agarrou-a pelo pescoço e lançou-a escada abaixo. A malkaviana se levantou pronta para recitar seu mantra da loucura, mas alguém com uma forte presença agarrou-a por trás com uma mordaça e sussurrou em seu ouvido:

— Você veio para a minha cidade, não se apresentou e ainda forneceu informações que ajudaram os Anarquistas a conquistarem parte do meu território. Me diga, Madame Kristal, existe algum bom motivo para eu não lhe agraciar com a morte permanente?

O intruso não havia atado suas mãos, Karliah poderia se contorcer e pegar a pontiaguda agulha de tricô que carregava dentro de sua bota e enterrar no pescoço dele. Em seguida, mandar a mente do troglodita para um local nunca antes visitado. No entanto, o invasor não a segurava com força e nem a machucava, apenas a impedia de falar. Além disso, emanava uma sensação que ela não sentia desde que recebera seu Abraço. Era um calor delicado e insistente que ela só havia sentido com alguns parceiros.

O feitiço vai virar contra o feiticeiro, disse uma das Vozes em sua cabeça.

Sedução não funcionaria com ela, e Karliah imaginava que o ventrue já sabia disso, então aquela presença sedutora era acidental, o que deixava a situação toda mais intrigante. Ele afrouxou sua pegada, retirou a mordaça e falou num tom de voz cordial:

— Eu gostaria muito que você cooperasse comigo e explicasse tudo o que planeja fazer em minha cidade, por que ajudou os Anarquistas e por que não se apresentou em minha torre. Sente-se e me conte tudo.

Karliah não conseguiu resistir a tamanha cordialidade. Sentou-se na cadeira onde realizava suas consultas e encarou o intruso. Era um homem de descendência européia, elegante, bem vestido, bem cuidado e definitivamente um ventrue. Ninguém que ela conhecesse.

O Príncipe seguiu as pegadas da Cinderela, comentou uma das Vozes.

— Estou juntando dinheiro para uma viagem. Eles me pagaram. Não conheço você. Logo que eu nasci--

O ventrue levantou a mão para interromper a história de vida que viria a seguir.

— Você não sabe quem eu sou? Vem para Los Angeles e não sabe quem eu sou? — perguntou um pouco ressentido.

Ela continuava encarando o intruso com um desejo enorme de ajudá-lo e ser prestativa, mas não fazia idéia de quem ele era.

— Não, sim e não.

— Vamos corrigir esse mal-entendido, então. Sou Sebastian LaCroix, Príncipe de Los Angeles.

— Karliah Karmina Karmen, ocultista.

Sebastian sorriu, fez uma mesura educada e sentou-se na cadeira dos clientes.

— Já que estamos tão amigáveis, por que a mademoiselle não vê pra mim onde, quando e como será o próximo ataque dos Anarquistas?

Karliah pegou seu deck e começou a embaralhar. Estipular o preço da consulta foi um pensamento que ela descartou porque ainda sentia vontade de ajudar Sebastian.

Vizir do Sultão, comentou uma das Vozes enquanto ela botava as cartas na mesa.

— Hollywood. Lua cheia. Cavalo-de-tróia.

Sebastian ficou pensando por quase 10 minutos. Um mortal acharia que ele não entendera o que foi dito, mas o ventrue tinha um segredo muito útil no trato com os malkavianos, portanto sua massa cinzenta estava trabalhando para encontrar o ponto através do qual aconteceria a infiltração dos anarquistas, apontado pelo comentário do cavalo-de-tróia. Chegou à conclusão de que só poderia ser em uma das boates noturnas, já que ficavam sempre cheias e por onde passava todo tipo de gente.

Ele quase se levantou para ir embora, mas resolveu confirmar.

— Eles vão se infiltrar em uma das boates noturnas?

Karliah embaralhou e tirou mais uma carta.

— Não.

— Não? Como não?

— Não. Não sendo uma boate.

Ele respirou fundo.

— Onde então? Seja mais específica.

— Cinema. Retroprojetor.

E então Sebastian entendeu o plano dos anarquistas. Ele sorriu satisfeito consigo mesmo, com a consulta e até com um pouco de admiração pela engenhosidade da facção rival.

— Eles vão recrutar através dos filmes, claro. Genial. Instigar o coração dos jovens sem arriscar ninguém. Um pouco demorado, mas muito mais efetivo a longo prazo. Afinal, dinheiro só compra o momento. Paixão compra o desejo.

Antes de se levantar, ele encarou Karliah por um momento e decidiu que não custava nada confirmar sua suspeita.

— É isso mesmo?

Ela embaralhou e tirou uma carta.

— Sim.

Ele se levantou e colocou a cadeira no lugar.

— Você vai contar para os anarquistas que agora eu sei do plano deles?

— Se eles me pagarem.

Ele se aproximou dela e acariciou seu rosto. Karliah sentia a sedução, mas não conseguia apreciá-la. Era igual quando ficava gripada na época em que era mortal e conseguia sentir o gosto doce das frutas, mas não o sabor individual para distingui-las e desfrutá-las.

— E quanto custa o seu silêncio?

— Uma viagem pro Egito.

Sebastian sorriu. Era um silêncio barato, muito barato, tanto que poderia facilmente receber uma contra-proposta. Ele fez um gesto para o brutamontes que o acompanhava.

— Veja bem, mademoiselle Karmen, eu tenho uma proposta melhor.

O monstrão cobriu-a com um cobertor preto, amarrou e amordaçou com força. Sebastian agarrou as pernas dela, colocou dois dedos dentro de cada bota e puxou uma agulha de tricô de cada uma. Em seguida, o capanga amarrou as pernas dela.

— Faça um favor pra mim e durma.

Karliah desmaiou.

🦇🦇🦇

Acordou com um aroma de perfume masculino, flores, desinfetante de pinho, e sangue, mas não era sangue comum. Sentou-se e olhou ao redor. Era uma suíte luxuosa que ela jamais conseguiria pagar mesmo que juntasse o dinheiro de uma vida inteira. Sobre um armário perto da porta havia um vaso com um colorido buquê de flores do campo, um envelope vermelho e uma bacia com gelo e com uma bolsa de sangue. Suas botas estavam ao lado da porta. Perto da cama havia um par de pantufas cor-de-rosa. Estava algemada na cama pelas mãos e pés. Sacudiu-se, mas não conseguiu se soltar. O barulho dos metais se chocando chamou a atenção de alguém que se aproximou da porta e destrancou-a com um cartão magnético.

Sebastian entrou com um sorriso cordial. Carregava uma taça. Aproximou-se da mesa e pegou o envelope vermelho.

— Boa noite, Bela Adormecida. Dormiu bem?

— Não posso botar cartas com as mãos atadas.

Ele sorriu.

— Eu sei. Você não está aqui para isso. Bem... Não está aqui apenas para isso. — Ele ergueu o envelope. — Sabe o que tem aqui?

Enigmas, comentou uma das Vozes.

— Você realmente quer que eu adivinhe.

— Quero saber até onde vão suas habilidades.

Karliah fechou os olhos e posicionou-se na beira de seu abismo interior.

Decifra-me ou devoro-te, sussurrou um coro de Vozes das profundezas.

— A foto de uma esfinge.

Sebastian a encarou com o olhar de alguém que acabara de ganhar na loteria e lhe entregou o envelope. Karliah abriu e era um cartão postal do Egito com a imagem de uma esfinge na parte de trás.

Ele colocou sua taça e o envelope com o cartão em cima da mesinha de cabeceira e tirou uma pequena chave do bolso.

— Sabe... Não acho que nos encontramos por acaso. — Ele fez um gesto para que Karliah esticasse os braços e retirou as algemas. — Existe algo que foi descoberto ali, próximo do Egito, que eu quero muito. Mas eu sei que terei problemas para conseguir isso.

Gehenna!, gritaram as Vozes.

— Gehenna — sussurrou Karliah.

Sebastian sorriu.

— Certamente é o que muitos acreditam, mas isso é apenas uma lenda.

Ele retirou as algemas dos pés e foi quando ela notou que não havia sido amordaçada.

— Você não me amordaçou.

Sebastian ainda segurava os tornozelos dela e sorriu, mas não era cordialidade. Ele estava pronto para subjugá-la se ela ameaçasse pronunciar alguma coisa esquisita.

— Ao contrário da Sabbat, eu não costumo maltratar meus associados.

— Mas os seqüestra.

Ele sorriu afastando-se dela e guardando a chave.

— Às vezes a besta dentro de nós fala mais alto. Perdoe minhas más maneiras. Aceita sangue? É um tipo especial. Gastei uma fortuna no lote.

Monstro..., sussurraram as Vozes.

Karliah sentou-se na ponta da cama, calçou as pantufas e foi até ele. Sebastian tirou uma taça do armário, derramou um pouco do sangue da bolsa e ofereceu a ela. Karliah tomou um gole e gemeu sem querer. Era o melhor sangue que ela já havia provado na vida. Sebastian sorriu satisfeito.

— Não vai ser difícil se acostumar com a vida aqui, vai? — perguntou ele.

Princesa LaCroix, disseram as Vozes e em seguida riram baixinho, como se estivessem zombando.

— Tenho compromissos — respondeu Karliah.

— Você tem compromissos? — perguntou ele com desdém. — Que compromissos poderia ter?

— Sim. Meus clientes.

Ele se retesou e ficou sério por um instante.

— Quem você atende além dos Anarquistas?

— Todos.

— Todos? Até os Sabbat?

— Sim. Sim.

— Você atende os Sabbat? — perguntou de novo incrédulo.

— Sim.

— O que eles perguntam?

— Gehenna.

Sebastian suspirou irritado.

— É claro, são obcecados com isso. — Apontou para a taça e disse: — Bebês. Tenho um fornecedor numa maternidade.

As Vozes emitiram o ruído do sibilar de uma cobra.

Karliah achou desnecessário, mas não estava em posição de reclamar, ou o ventrue simplesmente pediria para ela tacar fogo no próprio corpo e ela não iria conseguir recusar. Mesmo assim, terminou de beber o conteúdo todo da taça e o devolveu.

— Você gostando ou não, é minha convidada e ficará aqui por bastante tempo. Não deixarei nada lhe faltar. Mas aviso que minha paciência é curta e tem uma baixa resistência a testes. Ademais, a longevidade da sua vida será proporcional à sua utilidade. Entendido?

— Sim, mas não posso botar cartas sem as cartas.

Sebastian sorriu.

— Isso não será problema. Tomei a liberdade de criar um acervo pessoal para você.

Ele puxou um quadro, ao lado do armário, como se fosse uma porta e revelou uma estante embutida na parede que estava cheia de decks luxuosos com versões de colecionador e algumas versões banhadas a ouro que ela nem sabia que existiam.

Ventrue, comentou uma das Vozes com um tom de recalque.

— Acredito que tenha uma versão de cada oráculo que você usava e outros novos, segundo informações do meu fornecedor.

Karliah passou a mão por cima das caixas e escolheu um brilhoso e cintilante. Correu para a cama e se jogou sacudindo os pés e arremessando as pantufas longe.

Sebastian sorriu, catou as pantufas e colocou ao lado da cama. Karliah embaralhava apaixonadamente sentindo o deslizar do material de qualidade. De vez em quando ela parava para cheirar o deck.

— O que você quer saber?

Sebastian sentou-se na poltrona de frente para a cama.

— Vou conseguir o que eu quero da região do Egito?

Karliah embaralhou e tirou uma carta: A Torre. Um raio cortava o céu noturno e atingia uma torre quebrando-a ao meio e forçando duas pessoas a se jogarem lá de cima em direção a um abismo.

— Decepção.

Sebastian ficou sério, entrelaçou os dedos e apoiou os dois indicadores sobre a boca enquanto pensava.

— O que eu preciso fazer para conseguir o que eu quero?

Ela embaralhou e tirou duas cartas: 10 de espadas e O Louco. Um homem caído com dez espadas cravadas nas costas e um homem andando despreocupadamente à beira de um precipício.

— Eliminar o Bobo.

— O bobo? Que bobo?

— Sim. Aquele que ri.

Sebastian pensou mais um pouco, até que uma idéia lhe ocorreu.

— Jack Sorridente? É isso?

Karliah tirou mais duas cartas: 7 e ás de espadas. Um homem fugindo sorrateiramente com sete espadas de um acampamento e uma mão desencorporada segurando uma única espada.

— Sim. Sim.

— De novo esses Anarquistas me atrapalhando... Mas matar Jack Sorridente me traria muitos problemas. Além do mais, ele é um ancião. Provavelmente a Camarilla e os Anarquistas entrariam em guerra, isso seria catastrófico para a Máscara. O que vai acontecer se eu tentar recuperar meu item sem matar o Sorridente?

Karliah juntou todas as cartas, embaralhou e tirou duas: A Torre e 10 de espadas.

Sangue..., sussurraram as Vozes.

No abismo de sua mente, ela viu o apartamento todo tingido de sangue seco.

— Tingido de sangue. Tudo.

Sebastian a encarou sério. Ele não iria desistir dos seus planos, mas também não podia matar Jack Sorridente e nem podia deixar o banho de sangue acontecer. Deveria haver uma alternativa.

— Mais alguém que vai tentar me atrapalhar?

Karliah embaralhou e tirou duas cartas: A Lua e 5 de ouros. Um lobo e um cão uivando para uma lua cheia, e dois mendigos andando na neve do lado de fora de uma pomposa igreja.

— Nosferatu.

— Todos os Nosferatu ou Gary Golden?

Ela puxou mais uma carta: rei de espadas.

— Gary Golden.

— Mais um para a minha lista então. E os Tremere? Posso confiar neles?

Novamente ela juntou tudo, embaralhou e puxou duas: 2 de copas e ás de ouros. Duas pessoas trocando taças, e uma mão desencorporada segurando uma enorme moeda de ouro.

— Apenas enquanto for vantajoso pra eles.

— Não é de surpreender. Com quem mais eu devo me preocupar?

Ela repetiu o ritual: 3 de paus e 5 de espadas. Um homem em pé observando navios no horizonte, e um homem sorrindo segurando uma espada enquanto dois outros homens vão embora derrotados após largarem suas espadas no chão.

— Estrangeiros que vão atrás do que querem custe o que custar.

Sebastian pensou um pouco e então teve uma idéia.

— Os Kuei-jin?

O Diabo. Uma figura demoníaca sentada sobre um pedestal observando duas figuras permanecerem acorrentadas com uma coleira frouxa.

— Sim.

— Também não estou nenhum pouco surpreso. Não posso confiar em nenhum deles. — Uma idéia lhe passou pela cabeça e ele acrescentou: — Posso confiar em você?

Os Enamorados. Um homem e uma mulher nus num campo verdejante sob o olhar de um anjo no céu.

Como queijo e goiabada, disse uma das Vozes.

— As cartas dizem que sim.

— E o que você me diz? — pronunciou com um tom baixo e firme, mas ao mesmo tempo cordial.

Imediatamente Karliah sentiu vontade de ser honesta com ele.

— Não vou lhe trair porque você me mataria, e eu quero ir pro Egito cultuar meus Deuses antes de morrer. Quero que meu coração seja mais leve que a pena de Ma'at. Quero cruzar o submundo até o pós-vida. Quero conhecer o outro lado. E pra isso tudo eu preciso ir pro Egito me tornar uma sacerdotisa de Anúbis e Sekhmet.

Sebastian fez uma cara confusa, um pouco enojado, e ao mesmo tempo achando aquilo divertido e exagerado.

— Não posso deixar os Setitas saberem da sua existência. Eles tentariam roubá-la de mim.

— Já botei cartas pra eles e já fui a rituais de comunhão com os Deuses.

— E eles não lhe absorveram na facção deles por quê?

— Não cultuo Set. Não gosto de guerras.

— Péssima época para ser uma vampira, mademoiselle.

— O que mais quer saber?

Sebastian se levantou.

— Por enquanto é só isso. Existe algum pertence pessoal que você gostaria que fosse trazido para cá?

— Minhas agulhas de tricô, meu diário e minhas plantas.

O ventrue sorriu.

— Vou ficar com as agulhas por enquanto. Sobre o diário e as plantas, mandarei alguém buscar.

— O diário está escondido.

— Onde?

— Dentro do freezer, num pote de sorvete.

Sebastian riu um pouco desorientado.

— E meu aluguel vence semana que vem — disse Karliah.

O ventrue recuperou sua compostura altiva.

— Quitarei o ano pra você. Cortesia da casa. Quanto ao próximo, dependerá da sua utilidade.

Karliah deu de ombros e se recostou na cama. Não podia esconder sua habilidade mesmo, e não se importava com quem eram seus clientes contanto que pagassem.

— Você sabe onde me encontrar — disse ela.

Sebastian sorriu e deu uma última olhada nela de cima a baixo antes de sair. Do lado de fora, trancou a porta com o cartão magnético e pensou em como seria governar o país inteiro. Comparecer aos encontros dos anciões da Camarilla com a malkaviana ao seu lado, como sua vidente pessoal. Talvez estivesse sonhando demais, como acontecia com sua finada mãe, mas do que era feita a vida se não de sonhos e planos? Ajeitou seu terno impecável e desceu para receber alguns associados.

No quarto, Karliah botava as cartas para si mesma.

— Vou conseguir viajar pro Egito?

A Roda da Fortuna. Figuras animalescas presas ao redor de uma grande roda.

As Vozes emitiram opiniões distintas, todas ao mesmo tempo.

— LaCroix vai me matar?

Ás de copas. Uma mão desencorporada segurando uma taça de onde transbordava água.

"É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim...", cantaram as Vozes em coro. "Que faz eu pensar em você e esquecer de mim, que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver..."

— Existe alguém que tentaria me matar?

Sete de paus. Um homem segurando um pedaço de pau e se defendendo de seis outros pedaços de pau apontados para ele.

Karliah suspirou entediada. Costumava atender muitas pessoas e agora estava confinada num quarto sem nada para fazer.

Guardou o tarô e decidiu experimentar os outros oráculos que lhe eram desconhecidos. Despejou tudo sobre a cama, leu os manuais, embaralhou e tirou algumas cartas. Depois guardou tudo de novo. Sem clientes, não tinha muito o que perguntar. Sua vida era pacata e mundana, dentro do possível. Atendia alguns clientes humanos também. Já havia trocado favores por leituras. Fizera alguns contatos de confiança que certamente notariam sua ausência e fariam perguntas. Não tinha certeza se alguém tentaria negociar sua liberdade, afinal, não era tão importante assim para ninguém. O que ela fazia com as cartas poderia ser feito por qualquer outra cartomante. A diferença é que os vampiros iriam sempre preferir um dos seus a um humano.

Karliah decidiu ficar pulando na cama até ter algo para fazer ou o móvel quebrar. Não via a hora de voltar para a sua rotina ou então Sebastian ficar dependente da sua divinação e fazer consultas sobre tudo, até sobre que cor de terno usar. Pelo menos ela teria o que fazer.

Mente vazia é oficina do diabo, comentou uma das Vozes.

Karliah voltou-se para si e encarou o seu abismo interior buscando por alguma distração e, de repente, a Teia da Loucura a agarrou e puxou-a para o abismo. Karliah entrou num transe assombroso no qual ria, falava em línguas desconhecidas e se contorcia descontroladamente.